O Pássaro Mágico

Conto criado na Biblioteca por todos os alunos do 1º ciclo da EB1/PE das Figueirinhas

 

Num belo dia de Primavera, não há muito tempo, Helena, uma menina de longos cabelos pretos, pele branca e olhos azuis, decidiu ir até à Festa da Flor.

Helena nutria uma grande amizade por um pássaro, mais precisamente um periquito que, por sinal, era muito inteligente. Era o seu animal de estimação e vivia numa gaiola toda colorida. Sempre que a menina saía levava-o com ela e nesse dia não foi diferente.

 

 

Quando lá chegaram, o animal ficou eufórico com tanta música e flores multicolores! Logo desejou participar naquela festa! Então, com o seu biquinho, conseguiu abrir a gaiola e voou o mais rápido que pôde. O seu voo era verdadeiramente acrobático! Ele voava como um avião a jacto e o fumo que deixava atrás formava no céu as palavras “Apareçam na Festa da Flor”. Este fenómeno deixou toda a gente perplexa! Ninguém percebeu como aquilo era possível e até ele ficou estupefacto com aquela proeza. Ele era tão pequenino que as pessoas não conseguiam perceber que tipo de pássaro era aquele.

O periquito continuou a sobrevoar o cortejo e, de repente, viu uma grande e linda borboleta. Dirigiu-se-lhe, elogiou a sua beleza e, quando o fez, também ele se transformou numa borboleta. Foi neste momento que o Periquito se convenceu que tinha algum poder, ou seja, era mágico!

Entretanto, Helena andava à procura do seu pássaro, acabou por se afastar em direcção à floresta que havia ali perto. Como não o encontrou, aventurou-se um pouco mais, olhando para todos os lados a ver se descobria o seu animal de estimação. Já tinha andado muito quando se deu conta de alguns ruídos estranhos. Sentiu medo e suava de nervoso. Ouviu um lobo uivar e pensou com uma pontinha de humor: “não pode ser! Eu não faço parte de uma história e tão-pouco sou o Capuchinho Vermelho”. De qualquer maneira, por precaução, resolveu voltar para trás, mas acabou por se perder, pois já não se lembrava por onde tinha entrado na floresta. Além disso, parecia que não existiam caminhos ou, então, que estes tinham desaparecido. A tristeza e a aflição tomaram conta dela. Ninguém iria descobri-la! Sentiu tanto medo que já lhe parecia estar rodeada de lobos! Começou a gritar. No entanto, ninguém a ouvia – a floresta tinha tantas árvores de copas cheias que o som da sua voz não passava, perdia-se naquele espaço enorme e quase impenetrável!

Mas o pássaro ouviu-a! Ele tinha desenvolvido os seus poderes e a sua audição estava muito apurada. Pareceu-lhe ouvir a voz da sua dona e tinha de encontrá-la, pois notou que estava aflita.

Voou até à floresta seguindo o som da voz de Helena que continuava a gritar por socorro. Pousou num ramo muito alto tentando perceber como iria voar entre tantas árvores e encontrar a sua dona. Não sabia como haveria de passar porque podia magoar-se nos ramos. Então lembrou-se do momento em que se tinha transformado em borboleta e resolveu utilizar a mesma estratégia, na tentativa de conseguir chegar à menina. Olhou para uma folha muito verdinha e disse-lhe:

- Que linda que és!

Imediatamente ele transformou-se numa folha que, com a leve brisa que se fazia sentir, foi caindo lentamente até ao chão, perto dos pés de Helena. Esta pegou na folha, afagou-a ao mesmo tempo que as lágrimas escorriam pelo seu rosto. Uma lágrima caiu exactamente em cima da folha e esta, de imediato, transformou-se no que era antes – um periquito, o de Helena!

Helena ao ver o seu periquito, chorou ainda mais mas, desta vez, de alegria e felicidade! A sua felicidade foi tão grande que o caminho para a saída da floresta reapareceu! Inexplicável? Talvez não! Provavelmente a angústia que sentia não a deixou ver o caminho de volta. De qualquer forma, Helena, embora espantada, não quis deixar de aproveitar a oportunidade de sair dali e o seu animal querido logo levantou voo à frente da menina, para que esta o seguisse.

Voltaram para a festa. A menina levava a gaiola numa mão e, na outra, o seu pássaro.

Continuaram a ver o cortejo, quando o pássaro ouviu um som, como se estivesse alguém a gemer! Novamente o mesmo som mas mais intenso. Levantou voo naquela direcção e, um pouco mais adiante, viu uma pessoa caída no chão – uma senhora. Teve uma ideia! Dirigiu-se aos médicos que ali estavam (nestas situações, em que há grande concentração de pessoas, os médicos e ambulâncias estão sempre presentes). Com o seu biquinho, picou-os nas orelhas e voou. Fê-lo tantas vezes até eles perceberem que deviam segui-lo. E foi o que fizeram.

A senhora foi salva e o periquito voltou para as mãozinhas de Helena. De vez em quando, voava à volta das flores que participavam no cortejo e cada vez que as tocava aparecia-lhes uns bonitos olhos e um lindo sorriso. Isso deixava-o feliz porque percebia que desenvolvia, cada vez mais, o seu poder e a sua magia.

De regresso a casa, Helena resolveu contar aos seus pais a aventura e as emoções que tinha vivido nesse dia. Contou-lhes também sobre as descobertas que fez, relativamente ao seu periquito.

O pai de Helena, depois de ouvir o seu relato, teve uma ideia. Na verdade, ele e outros vizinhos estavam a passar por grandes dificuldades. Recentemente, tinha havido uma grande catástrofe e muitas pessoas perderam as suas casas. Então, ele falou com a filha e sugeriu que utilizassem o periquito para espectáculos e com o dinheiro que conseguissem ajudariam a família e todos os outros. Helena não queria expor o seu querido pássaro, mas acabou por concordar. Afinal, era por uma boa causa!

Na manhã seguinte, o periquito foi contactar com outros pássaros domésticos. Criou várias coreografias e, todos juntos, apresentaram-nas, como se de um grupo de bailado se tratasse.

O periquito, esse pássaro cheio de magia e encanto, continuou em grandes voos, usando os seus poderes para ajudar as pessoas.

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